O que deixamos de viver quando acontece nos persegue para sempre. O fantasma de não ter realizado, da oportunidade perdida. Hoje, aprendi uma lição: não devemos esperar, não devemos deixar que coisas boas nos escapem por entre os dedos. Aprendi tabmbém que sempre é possível recomeçar. Que o que a vida quer da gente é coragem. Espero que essa mesma coragem me acompanhe até onde eu puder caminhar. Hoje com trinta, amanhã com 40, depois com 50, sempre.
Escrevo uma história de redescoberta, mas também de auto-conhecimento. De como uma vida começa a ter sentido quando nos isolamos um pouco do mundo e olhamos para nosso interior. De como faz bem respirar fundo, esperar o ritmo do furacão desacelerar para só então se por de pé a andar.
Acho que começo a me entender um pouco mais agora. Nunca fui de luxos, nunca fui ganancioso, sempre trabalhei pelas minhas coisas e confesso que consegui até mais do que esperava. Nunca me empenhei de verdade nas coisas que gostaria de fazer. Nos meus sonhos, e isso muda agora.
Hoje se pudesse voltar não teria tomado certas decisões, não teria escolhido certos caminhos. Mas não me arrependo de tê-los tomado. Aprendi com tudo o que me aconteceu, só não gostaria de envolver outras pessoas no que fiz. E isso não acontecerá de novo.
O que um homem não faz quando é exposto à natureza selvagem? Uma vida nova em um lugar diferente, pessoas diferentes misturadas a velhos rostos, diferenças ressaltadas. Decisões tomadas. Espero crescer com tudo isso que está acontecendo.
Hoje não quero ver TV. Esses canais não me exibem mais. Pensar, sentir, me faz ver que estou vivo. Me apaixonei por pessoas, por lugares e por esse sentimento que é estar vivo. Quero alguém do meu lado que se sinta como eu estou me sentindo agora. Inconstante. Inquieto. Em movimento. Meu coração bate depois de muito tempo. Eu mudei. E sinto que o processo não terminou. Ainda está acontecendo e não sei quando vai parar. O fato é que estou entrando em contato comigo mesmo e estou gostando do que sinto. De fazer minhas coisas. Correr atrás. Fugir da estagnação. O trem está começando a andar. Me sinto vivo.
Nunca me senti tão bem colocando para fora meus demônios. Nunca fiz terapia mas acho que deve ser bem por aí. Cada dedo que toca o teclado bate uma letra do meu coração. São muitos toques e são precisos.
Aprendi coisas sobre mim que me deixaram confiante, tranquilo de estar num caminho que eu escolhi. Aprendendo, mudando aos poucos, em direção do que quero ser, do que amo fazer. Sinto estar começando velho, meio Benjamin Button. Começando agora, depois de muito ter andado. Antes tarde do que nunca. Essa selva, essa natureza selvagem fez bem pra mim. Estou ouvindo o meu coração agora e posso contar nos dedos quando fiz isso. E como é bom. Exorcisa tudo.
Dessa vida não se leva nada. Quero viver o máximo que puder.
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