Noite passada uma música que falava do sol tocava no rádio.
Foi nesse momento que você disse à janela:
“nunca tinha visto a lua daqui”.
Há quem consiga enxergar poesia na contradição.
Na contradição que somos nós dois.
Como o sol no rádio e a lua no céu. No seu céu.
E haviam também as estrelas,
espectadores calados dessa comédia sem graça que é nossas vidas.
Talvez esboçassem um sorriso minguante.
Talvez não.
Talvez chorassem estrelas cadentes.
Talvez não.
Adormeci como quem dorme no meio do filme
e que perde quase tudo, a não ser o final.
E quando acordei parecia o fim.
Eu também nunca tinha visto a lua dali antes.
Me lembro de ouvir alguém dizer:
“a lua nunca é a mesma quando se vê, isso é o bonito nela”.
Quando a vi, não parecia a mesma.
Talvez a fumaça da sua boca.
Talvez o vermelho da cor.
Talvez não.
Talvez meus olhos embaçados.
Talvez não.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Talvez
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